Recuperação · 7 min de leitura
Parece um paradoxo, mas é verdade: nas lesões músculo-esqueléticas, querer recuperar depressa demais costuma atrasar tudo. Compreender como o corpo cura ajuda a tomar melhores decisões — e a voltar mais cedo, e mais forte.
Logo após a lesão, o corpo desencadeia uma resposta inflamatória — inchaço, calor e dor. Não é o "inimigo": é o primeiro passo da cura. O objetivo aqui é proteger sem imobilizar por completo. A abordagem moderna resume-se na sigla PEACE: proteger, elevar, evitar anti-inflamatórios em excesso, comprimir e educar.
O corpo começa a construir tecido novo. É a altura de reintroduzir movimento controlado e carga progressiva. O movimento orienta as fibras de colagénio a alinharem-se corretamente — daí a importância de não ficar totalmente parado.
O tecido novo amadurece e ganha resistência. Aqui o trabalho é de força progressiva e regresso gradual à atividade. Saltar esta fase é a causa número um de recaídas.
Um plano bem desenhado faz a ponte entre as fases: protege quando é preciso proteger e desafia quando é preciso fortalecer. O fisioterapeuta ajusta a carga semana a semana, lê os sinais do corpo e evita tanto o excesso como a estagnação. É essa dosagem certa de esforço — nem a mais, nem a menos — que acelera o regresso.